sábado, fevereiro 25, 2006

O Carnaval através dos tempos


Foto: Site Brazil Photos


O Carnaval é...

A festa denominada Carnaval surge do âmago de todo ser humano: da necessidade de soltar os sentimentos e instintos reprimidos durante o ano. Paixão, desejo, alegria gratuita: tudo reunido numa espécie de celebração à vida e ao prazer. Supõe-se que a origem histórica do Carnaval seja os saturnais romanos e festas primitivas em honra ao ressurgimento da primavera, o reflorescimento da Natureza.


Origens do Carnaval

O Carnaval com certeza é a festa profana mais antiga que se tem registro, provavelmente, com o sentido atual de folgança coletiva e inversão das posições sociais, já existe há mais de três mil anos. As suas raízes mais remotas encontram-se na Grécia Antiga, no culto a Dionísio, o deus da vindima, que mais tarde foi celebrado em Roma como Baco, espalhando-se para os países de cultura neolatina.

Dionísio, mais conhecido entre nós como Baco, era um deus bastardo para os pagãos. Perambulara por muito tempo pela Ásia Menor até que, conta a lenda, pelas mãos do sacerdote Melampo, introduziu-se nas terras gregas. Tornou-se um sucesso. Conforme as plantações de parreiras se espalhavam pelas ilhas da Grécia e pela região da Arcádia, mais gente o celebrava. Em todas as festas no campo ele se fazia cada vez mais presente. Por essa altura, já entronado como deus das vindimas, representavam-no como uma figura humana, só que de chifres, barbas e pés de bode, com um olhar invariavelmente embriagado.
As Bacantes

Consta que as primeiras seguidoras do Deus Dionísio, há uns 3 ou 3,5 mil anos atrás, foram mulheres que viram nos dias que lhe eram dedicados um momento para escaparem da vigilância dos maridos, dos pais e dos irmãos, para poderem cair na folia "em meio a danças furiosas e gritos de júbilo", como disse Apolodoro, testemunha duma daquelas festas. Nos dias permitidos, elas, chamadas de coribantes, saíam aos bandos, com o rosto coberto de pó e com vestes transformadas ou rasgadas, cantando e gritando pelas montanhas gregas. Os homens, transfigurados em silenos e sátiros, não demoraram em aderir às procissões de mulheres e ao "frenesi dionisíaco". A festança que se estendia por três dias, encerrava-se com uma bebedeira coletiva em meio a um vale-tudo pansexualista.


Brincando de Ser Rei...

As autoridades (as cortes, os sacerdotes e os ricos) não gostaram nada daqueles festejos malucos. Entre outras razões porque eram as vítimas favoritas das sátiras. Os festejos bacantes, como é sabido, além de serem um teatralização coletiva da inversão de tudo, serviam como um acerto de contas do povo com os seus governantes. Ainda que metafórico e psicológico. Neles, o miserável vestia-se de rei, o ricaço de pobretão, o libertino aparece como guia religioso, e a rameira local posava como a mais pura donzela, machos reconhecidos vestem-se como fêmeas, e assim por diante. Dionísio brincalhão, irreverente e debochado, estimulava que virassem o mundo de ponta-cabeça.

A repressão fracassou. Foi então que no século VI a.C., Pisístrato, o tirano de Atenas, oficiou-lhe homenagens. Não só isso. Construiu-lhe um templo na Acrópole: o teatro Dionísio, que está lá até hoje. Organizou em seguida concursos de peças cômicas ou dramáticas para celebrá-lo no palco, iniciando assim em Atenas a política do amparo às artes cênicas pelo Estado.

colega de Nietzsche, interpretou a transformação de Dionísio de um irreverente deus das folganças num ente oficioso, à interferência de um outro deus: Apolo, o deus Sol. Sendo este uma divindade do Estado, ele não podia permitir que aquela subversão dos costumes ficasse solta pelos campos a provocar loucuras, incitando os pobres à desordem e ao deboche. Apolo então atraiu Dionísio para dentro da cidade com ofertas mil, e, como sócio maior, domou-o. Em Roma, com as saturnais, as incríveis e desregradas festas populares que se davam em dezembro, deu-se praticamente a mesma história. Em Veneza ou em Nova Orleãs, em Salvador da Bahia ou no Rio de Janeiro, o deus bastardo da bebida e do atrevimento, tornou-se amansado pela política envolvente do deus do Sol, Apolo.


É Carnaval no Brasil...

No Brasil, o Carnaval é uma festa de âmbito nacional, adquirindo características distintas em cada região. O início dos festejos foi o Entrudo, introduzido no Brasil pelos navegadores portugueses. O festim originário da Índia consistia em uma " guerra " de excrementos, talco e ovos jogados do alto das casas ou nas praças. Outra brincadeira dos farristas era agarrar um desafortunado qualquer, tirar suas roupas, dar um banho frio e devolvê - lo à rua. Assim eram os festejos na Bahia e no Rio de Janeiro, em fevereiro do século XVI.

Entre 1870 e 1890 o Entrudo vem sendo lentamente substituído pelo Carnaval : bailes em clubes e desfiles nas ruas, sendo as fantasias inspiradas em modelos europeus e os próprios festejos importados da Itália. Surgiram os Fantoches de Euterpe, a Cruz Vermelha e Os Inocentes em Progresso. Os negros e mestiços vão sendo " afastados " da festa, tornando - se meros espectadores dos desfiles e realizando clandestinamente suas batucadas. Na década de 90, foram formados clubes " de negros " : Embaixada Africana, Congada Africana e Pândegos da Àfrica. O Carnaval prosseguia deixando aflorar o bom - humor e a espontaneidade do povo baiano, que se utilizava da festa para satirizar os políticos com máscaras e marchinhas irreverentes e brincar com a imaginação alheia se travestindo de noiva ou freira. Nos anos 30 e 40 o brilho da festa foi esmorecido pelos acontecimentos mundiais refletidos no Brasil : guerras e ditadura.

No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de Samba
atuais.

No século XX o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas
deixavam o carnaval cada vez mais animado.


Surge o Trio Elétrico no Carnaval da Bahia...

Um fato marcante no Carnaval baiano foi a passagem do grupo pernambucano de frevos " Vassourinhas do Recife " pela Bahia. A recepção aos pernambucanos e ao ritmo contagiante do frevo foi tão positiva que deu o impulso inicial para Dodô e Osmar ( Adolfo Nascimento e Osmar Macedo ) desenvolverem o trio elétrico, o " trio " que deu um novo tom ao Carnaval da Bahia

Em 1950 Dodô e Osmar saíram às ruas num caminhãozinho equipado com alguns poucos alto - falantes, fascinando o povo baiano. A iniciativa de montar um trio elétrico passou a ser incentivada pelo governo e apoiada pelos empresários e comerciantes. O Carnaval se consagra como festa " da mistura " : de cor, de sexo, de classes sociais, de idade, todos seguiam encantados o ritmo dos frevos e dobrados vindo dos trios elétricos.

O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem as ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu.

Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.


A Cidade Maravilhosa cai no Samba...

O primeiro baile de carnaval do Rio só ocorreria em 1835, no Hotel Itália, que não existe mais. Nessa época, ainda não existiam as marchinhas (músicas) carnavalescas. Foi um sapateiro português, de nome Zé Pereira, que teria contribuído para o surgimento delas: no carnaval, ele saía às ruas batendo bumbo.

Cerca de 20 anos depois, surgiram as grandes sociedades, as escolas de samba de antigamente. Elas tinham carros alegóricos puxados por cavalos! Nessa mesma época blocos chamados de cordões também começaram a desfilar pela cidade.

Em 1907, as filhas do presidente Afonso Pena desfilaram pela Avenida Rio Branco num carro com a capota aberta lançando confetes e serpentinas. Logo a moda pegou e o costume foi apelidado de corso.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se “Deixa Falar”. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá.

Só em 1932 houve o primeiro desfile de escolas de samba. Eles aconteceram na Praça Onze, depois passaram para a Avenida Rio Branco. Até que a avenida ficou pequena demais e o evento foi transferido para a Avenida Presidente Vargas.

Desde 1984 o desfile se realiza no Sambódromo, construído especialmente para isso. Hoje o espetáculo é assistido por 60 mil pessoas e transmitido para milhões de pessoas em todo o Brasil, e mais de 50 paises no Mundo.


A Origem da Palavra...


A palavra " carnaval " vem do latim * carnem levare * : abstenção da carne, designando a véspera da Quarta - feira de cinzas, dia em que se iniciava a abstinência da carne exigida pela Quaresma.


Enredos do Carnaval 2006 -Rio de Janeiro http://www.apoteose.com/

Sambas - Enrendos Carnaval 2006 - Rio de Janeiro http://www.apoteose.com/

Ordem dos Desfiles Carnaval 2006 - Rio de janeiro http://www.apoteose.com/

Fontes: Sua pesquisa.com, Educa Terra, Apoteose.com, Globo.com

5 comentários:

Claudia disse...

Oi Rogério, muito obrigada pela visita, fico contente que tenha gostado do meu blog, e espero que você volte sempre !!! Também gostei muito do seu blog que trata do Rio de uma forma tão bonita ! Parabéns !

Luciana R disse...

Gostei muito deste blog. Eu tb amo minha cidade!! :)

Isabel-F. disse...

Adorei ler.
Parabéns pelo Post Rogério, está 5 estrelas.

Beijos

Claudinha disse...

Olá Rogério, não é por acaso que o Rio é a Cidade Maravilhosa. Parabéns pela descrição tão minuciosa, seu blog é muito instrutivo.

Anônimo disse...

Aquela foto dos clovis que você não sabe o nome é a turma da VAIDADE.

ABRAÇOS.