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domingo, maio 06, 2007

Clóvis, O melhor do Carnaval Suburbano


Foto: Internet (alguém sabe que me avisa...Obrigado)

O que vem a ser um Clóvis???

Clóvis, ou "bate-bola", é o nome de uma fantasia carnavalesca característica dos subúrbios cariocas, principalmente os das Zonas Norte e Oeste. Supõe-se que o nome tenha derivado de "clown" (palhaço).

Nos primórdios, a fantasia de clóvis se assemelhava muito com a roupa dos palhaços, mas usavam máscaras aterrorizantes. Batendo suas bexigas de boi, bastante fedorentas, os bate-bolas eram o terror da criançada.

Com o tempo, a indumentária foi incorporando novas características e, atualmente, os grupos de clóvis podem ser classificadas em diversos tipos, tais como "bola e sombrinha", "leque e sombrinha", "bicho e leque" entre outros.



Foto: Turma do Américo

A Origem do ClóvisNo século XIX, o clóvis era interpretado por pessoas que se vestiam com macacões coloridos e usavam máscaras. Saíam pelas ruas batendo bola nas pessoas e violentamente no chão, assustando principalmente as crianças distraídas.

Uma das características dos bate-bolas era não repetir as roupas para não serem reconhecidos.As bolas eram feitas de bexigas de boi e até hoje uma fábrica tenta manter a tradição, mas o material está sendo substituído por plástico.

O personagem também é uma referência do Carnaval europeu, quando as pessoas se fantasiavam de palhaços em Carnaval de Veneza. Além de assustar crianças e até adultos, o bloco de clóvis resiste, principalmente nos subúrbios, como digno representante do carnaval de rua carioca. A fuzarca no Rio exerceu um papel centralizador para a formação da folia nacional.



Foto: Turma da Tropa

A Tradição dos "Clóvis" no Rio agora em Documentário

No Rio de Janeiro, são mais de cem turmas de Clóvis. A tradição chamou a atenção do diretor de teatro Marcus Vinícius Faustini. Ele fez um documentário para tentar entender quem são esses personagens intrigantes do carnaval carioca.

Uma roupa que pesa muitos quilos para usar em um quase insuportável. Mas ninguém reclama. Para eles, fazer parte de uma turma de Clóvis é ganhar espaço para brilhar no meio da multidão, mesmo que seja por alguns instantes.

O momento de sair pelas ruas é o mais aguardado por esses moradores de comunidades da periferia. Vestidos com saias e babados, provocam espanto e encantamento.

Em Santa Cruz, saíam uns mascarados, e tem uma lenda que conta que os soldados da Aeronáutica que desciam aqui num hangar começavam a ver os mascarados e chamavam de “clown”. E as pessoas foram adaptando para “Clóvis”, revela o diretor Faustini.

A surpresa na hora de revelar a fantasia é um dos grandes orgulhos do grupo de Clóvis. Uma delas parece uma máscara, mas observando os detalhes, encontra-se o calçadão de Copacabana, o Pão-de-Açúcar e o Cristo Redentor.

Por trás de cada máscara há personagens da vida real que só no carnaval mostram um outro lado. Um exemplo é Leonardo Figueiredo, policial militar, que divide o trabalho nas ruas do Rio com a tarefa de fabricar as fantasias do seu bloco de Clóvis.

Às vezes, eu saio do serviço, estou cansado, tenho que dormir, porque o corpo não agüenta – virou noite dirigindo, trabalhando com tensão, perigo nas ruas – e quando eu lembro o compromisso que eu tenho com pessoas que têm isso aqui como o primordial da vida, da alegria, eu chego a pegar um pouco de ânimo e caio dentro dos trabalhos”, conta o policial Figueiredo, integrante dos "Clóvis".

Mas trabalhar com tantas cores e purpurina tem o seu preço: “Muitas vezes eu chego cheio de purpurina e o pessoal pergunta se eu estou virando borboleta”, ri o policial.



Poster Oficial do Documentário

Ficha Técnica
Título Original: Carnaval, Bexiga, Funk e Sombrinha
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 63 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2006
Estúdio: Reperigeria / KL Produções
Distribuição: Direção: Marcus Vinícius Faustini
Roteiro: Marcus Vinícius Faustini
Produção: Gabriela Saboya e Tatynne Lauria
Fotografia: Marcus Vinícius Faustini e Tamur Aimara
Edição: Gregório Mariz

Elenco: Não divulgado

Sinopse: Uma radiografia do trabalho feito pelos mais de 70 grupos de clóvis, ou bate-bolas, existentes na zona oeste do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que mantêm viva a tradição do Carnaval de rua, os grupos levam às últimas consequências os preparativos para a festa, que têm início 361 dias antes da saída dos blocos.

Fontes: lcmarques.blogspot.com, enciclopédia on line Wikipédia , ufrgs.br, Globo.com/rjtv, adorocinema.cidadeinternet.com.br, Flogão "turmadatropa" e "osmaislindosclovis"



Foto: Mascara Classica de "Bate-Bola"

Vivenciando a Noticia - "Bate Bola, Bate Pé"

Não existe criança que ao menos uma vez na vida não tenha fugido dos famosos “bate-Bola” e suas bexigas algumas vezes com sal grosso e que não era o “terro” apenas no Subúrbio Carioca(A minha infância foi no Centro do Rio de Janeiro) .

Também já estive do outro lado da folia se não me engano por um ano apenas. De uma forma mais simples do que os belos “Clóvis”que podem(hoje em dia) custar até R$ 2,500(dois mil e quinhentos reais) porém me diverti muito.

A cidade era menos violenta e justamente por isso brincávamos sem receio de quem pudesse esta por debaixo daquela mascara. Cantei e muito a famosa musiquinha “Bate Bola Bate pé/ tira a roupa da mulher / se for homem vem aqui / se for bicha fica ae” e da-lhe pernas pra que te quero na hora de fugir de uns 40 bate bolas com cola de sal grosso...rsss

Ninguém era santinho não viu?? Tacávamos ovo, tomate, jogávamos “bolas de gude” no chão para eles escorregarem....rsss Mesmo assim existiam limites.

A graça estava em nós(sem roupa de bate Bola) corre como louco “estragar”a roupa deles, Já eles(Bate-Bola) tinham como objetivo assustar as vezes batendo as bolas apenas ao seu redor pra que você grite(e muito) outras bolas nas costas jamais acontecia qualquer tipo de contato físico de nenhuma das partes.

Era uma brincadeira até certo ponto sádia exatamente por não ter a malicia dos adultos. Na Avenida Rio Branco e na Presidente Vargas eu assistia os sustos da criançada ao se deparar com os melhores Clóvis do Rio de Janeiro!!! Tanto no quesito beleza ou feiúra mesmo (acredite eram medonhos).

Nunca mais me esqueci da Clássica “Morte” de olhos vermelhos que piscavam por debaixo de um capuz sinistro...rsss Pena que a infância passa de uma forma tão lingeira que quando você se dar conta já é um adulto e os seus medos se tornam muito mais complexos do que uma mascara de Carnaval e os pesadelos que ela poderia te dar na noite seguinte.

Quer ler mais sobre o Carnaval Carioca???

* O Carnaval Através dos Tempos

* Soy Loco Por Ti, Vila Isabel

* Site Oficial Liesa

Bom Carnaval Galera!

* Texto publicado originalmente em 07/02/2007 no extinto Rio que Amo 2

quarta-feira, outubro 11, 2006

O Rio é Animal - O mais antigo Zoo do Brasil


Foto: Fernando Mirabella - Tigre de Bengala

O Zoológico do Rio possui uma área de 138 mil metros quadrados, mais de 2.100 animais entre répteis, mamíferos e aves e cerca de 400 espécies, o zoológico do Rio é o mais antigo do Brasil.

Possui o maior plantel de primatas brasileiros, a maior coleção de aves expostas do país e, no setor de fauna, reproduzem-se espécies raras e ameaçadas de extinção como o urubu rei, a ararajuba e o mico leão dourado.

Com uma visitação mensal de 70 mil pessoas, e em média, 110 turmas escolares, a Fundação RIOZOO tem como objetivo muito mais que ser apenas uma vitrine de animais.

A maior tarefa é desenvolver o respeito e a preservação do meio ambiente, investindo em programas de educação, qualidade de vida e pesquisa baseado sempre no conceito “ Conhecer para Preservar”



Foto: Carlos Grupilo - Onça Pintada

A História do Zoo Carioca

O Jardim Zoológico do Rio de Janeiro é o mais antigo do Brasil. Atravessar o Parque da Quinta da Boa Vista, antiga residência da Família Imperial portuguesa, e entrar hoje, por seu portão de arcos e colunas, é transportar-se para o tempo de um outro país.

Percorrer suas alamedas margeadas de palmeiras imperiais é como entrar nas páginas de um livro vivo de imagens e histórias de imperadores, princesas, escravas e todo tipo de gente comum que abriu os caminhos para construir através dos anos aquilo que somos.

O Zôo carioca oferece uma mistura única de História, fauna exuberante, ecologia e muito verde.

Expor animais e tentar trazer para dentro da cidade um pouco da vida selvagem, começa em nosso país, mais especificamente no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1888, quando o Barão de Drumond funda no Bairro de Vila Isabel o primeiro Zoológico brasileiro.

Uma área com riachos, lagos artificiais e uma extensa coleção de animais. O passar dos anos, entretanto, trouxe dificuldades financeiras, e manter os animais tornou-se muito difícil Foi neste momento que para solucionar a situação, o Barão criou o "jogo do bicho".



Foto: Site - riototal.com.br

A História do Jogo do Bicho

Com a falta desse dinheiro, o Barão, com a sua fortuna empregada na bicharada, começou a encontrar dificuldades para manter o zoológico. Poucos anos depois, em 1892, foi que ele teve a sua mais grave crise financeira...

Então, um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que havia introduzido no Rio de Janeiro (rua do Ouvidor), sem muito sucesso, o "jogo das flores", deu-lhe a idéia do jogo do bicho...

Assim, no dia 03/07/1892, o Barão organizou um passeio à empresa do Jardim Zoológico, ao qual compareceram membros destacados da sociedade e representantes da imprensa. Em meio às festividades, o Barão apresentou a sua estratégia para atrair visitantes ao local, que consistia em premiar, em dinheiro, os freqüentadores cujos bilhetes tivessem estampadas as figuras dos animais sorteados ao final de cada tarde.

Associado a Zevada que ocupou o cargo de gerente do zoológico, o Barão de Drummond acabava de criar o chamado Jogo dos Bichos, que se tornou um sucesso em diferentes círculos sociais. O jogo do bicho surgiu como um divertimento da alta sociedade fluminense, como mostram os jornais da época

O jogo se processava da seguinte maneira:

Cada ingresso, vendido para visitar o zoológico, dava direito a um cupom que trazia a estampa e o nome de um animal para concorrer a um sorteio que concedia ao ganhador um prêmio vinte vezes maior do que o valor pago pelo ingresso. Como ele custava mil réis, o ganhador recebia vinte mil réis!

Toda manhã, logo cedo, o Barão escolhia uma estampa com a figura e nome de um dos 25 bichos que faziam parte do jogo e colocava essa estampa em um quadro de dimensões enormes, içado a um mastro erguido à porta principal do Jardim Zoológico. Uma vez o quadro içado ninguém tinha acesso a ele. Esse quadro era de madeira e, trancado à chave. Às 15 horas o próprio Barão de Drumond acionava um dispositivo, exibia o bicho sorteado sem causar dúvida a quem assistia ao sorteio.

Aos poucos, aumentava o número de visitantes, por isso foram criados outros pontos de venda de ingressos com a finalidade de concorrer ao jogo do bicho. Em um só domingo a venda atingiu 80 contos de réis, com entradas!

No ano de inauguração do jogo do bicho, 1892, no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, estava em circulação o primeiro selo postal bicolorido impresso no Brasil. Emitido em 01/05/1891, nas cores azul e vermelho e com valor facial de 100 réis, o qual tem o nome de ALEGORIA REPUBLICANA "TINTUREIRO".

A entrada no zôo, à época, custava um mil réis e a sorte enchia o bolso do ganhador com vinte mil réis! Estes eram os bichos sorteados pelo Barão de Drumond:


A idéia do Barão de Drumond acabou por transformar-se em uma marca no cotidiano da cidade, mas não foi suficiente para salvar o antigo Zôo, que terminou fechando suas portas na década de 40.Mas logo a cidade ganhou um novo Zoológico, inaugurado no Parque da Quinta da Boa Vista, no histórico bairro de São Cristóvão, em 18 de março de 1945.

O Zoológico da cidade do Rio de Janeiro destaca-se na memória histórica do país. Uma das imagens mais marcantes é o imponente portão construído em sua entrada, que pode ser visto na paisagem de algumas telas pintadas durante o período imperial.

O portão foi oferecido como presente de casamento a D. Pedro I e à futura imperatriz Leopoldina por um nobre inglês. Vivendo períodos de glórias e dificuldades, o Jardim Zoológico carioca chegou aos nossos dias, e em 1985 foi transformado na Fundação RIOZOO.

Esta mudança proporcionou agilidade administrativa e abriu espaço para um processo de modernização, transformando a RIOZOO em uma respeitada instituição de pesquisa e educação ambiental, reconhecida no Brasil e no exterior.



Fotos: Rio Zoo - Macaco Tião

O Macaco mais Famoso do Brasil

O primata da espécie Chimpanzé, cujo nome científico é Pan Trogodytes, mais famoso do Brasil foi o Macaco Tião. Ele nasceu no próprio Zoológico do Rio de Janeiro, em 16/01/1963, portanto "carioca da gema" e do signo de capricórnio.

Filho de Babá e Lulu, sua altura era de 1,52 m e seu peso de 70 kg. Tião, recebeu esse nome em homenagem a São Sebastião, padroeiro da cidade maravilhosa. Estado civil: solteirão convicto...

Na primeira vez, tentou acasalar com a macaca "Cafona", na qual ele deu uma surra; depois de 3 anos teve sua segunda tentativa, mas a pretendente Cafona adoeceu e morreu. Quando mudou de namorada, a chimpanzé Cássia, outro desencontro, a macaca demonstrou medo de Tião e os veterinários desistiram da união...

Mudou de casa apenas uma vez em sua vida, fato ocorrido em junho de 1996. Mas, antes disso, teve uma carreira política... A candidatura do Macaco Tião - lançada pelos humoristas da revista Casseta e Planeta em defesa do voto nulo nas eleições municipais de 1988 - representou um feito: 9,5% dos cariocas que compareceram as urnas, apostaram em Tião.

Se somada aos votos em branco (14,9%), a votação de Tião superaria a de todos os candidatos - exceto Marcello Alencar, eleito prefeito com 31,6%. Depois de anos e anos disputando uma vaga entre os candidatos às eleições no Rio, a chegada do sistema eletrônico selou o fim de uma carreira polêmica.

Nas eleições de 1996, os eleitores não tiveram a chance de escrever nas cédulas e para anular o voto, tiveram que digitar um número que não constava nos registros dos candidatos...

Teve como rivais os chimpanzés Pipo e Paulinho. No dia 23/12/1996, morreu Tião, o chimpanzé mais querido do Brasil. Decorrente de complicações referentes à diabetes e a avançada idade.

O prefeito da cidade, César Maia decretou luto oficial até o dia 31 de dezembro e as bandeiras da Fundação RioZoo ficaram a meio-mastro.

Tião foi notícia em todo Brasil e até no jornal francês LE MONDE, que divulgou a notícia de sua morte em primeira página...

No dia 16/01/1997, Tião ganhou uma placa de bronze em frente ao portão principal do Zôo, uma estátua de corpo inteiro e a alameda central passou a se chamar Alameda Macaco Tião; na Barra da Tijuca ele ganhou uma praça com seu nome.


ZOO Serviços:

- Anfiteatro com camarins e capacidade para 100 pessoas

- Estacionamento para ônibus e carros

- Segurança

- Playground com área para festas e sala de apoio

- Lanchonete

- Restaurante

- Sorveteria

- Quiosque de Mel

- Visitas guiadas gratuitas (3ª a Sábado de 10h às 16h)

- Zooloja

- Zoofotos

- Sala de vídeo e auditório

- Área para festas e eventos

Funcionamento:

Terça a Domingo, de 9h às 16:30h

Ingresso: 3ª a 6ª R$ 4,00 / sáb., dom. e feriados R$ 5,00

Crianças até 1 metro de altura, maiores de 65 anos e deficientes não pagam.

Contatos:

Na Internet- http://www.rio.rj.gov.br/riozoo

Telefone - (021) 569-2024 Ramal- 219 e 220

Fax- (021) 569-7547 ou (021) 567-0698

e-mail - rzasscom@pcrj.rj.gov.br

Fundação Jardim Zoológico da Cidade do Rio de Janeiro - RIOZOO

Parque da Quinta da Boa Vista s/nº - São Cristóvão

Rio de Janeiro RJ Brasil Cep: 20.940-040

Fontes: Rio Zoo, saudeanimal.com.br, riototal.com.br, girafamania.com.br

quarta-feira, maio 10, 2006

O Primeiro Museu é da Maré


Foto: Museu da Maré - Folha SP

MARÉ DE CONHECIMENTO

O Complexo da Maré, que reúne 16 favelas no entorno da baía de Guanabara, na zona norte do Rio, inaugurou ontem o primeiro museu em uma favela no país. O acervo é formado por fotografias, documentos e objetos do cotidiano doados pelos próprios moradores.

O museu foi uma iniciativa da organização não-governamental Rede Memória do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré e contou com apoio financeiro de R$ 190 mil do Ministério da Cultura. O ministro Gilberto Gil, participou da solenidade de inauguração, que teve apresentações de maracatu, capoeira e hip hop com grupos da comunidade.


Foto: Palafitas (baixa do sapateiro 1970) Autor Desconhecido


O alfaiate Atanásio Antônio Amorim, de 72 anos, que mora há 52 anos na Baixa do Sapateiro, uma das 16 favelas do complexo, doou ao museu fotografias antigas, tiradas na época em que a favela era uma grande palafita, ou seja, os barracos eram construídos sobre estacas na beira da baía da Guanabara.

Atanásio disse que tem vivo na memória o sofrimento dos moradores, quando a maré enchia e os barracos ficavam dentro d'água. No final da década de 1970, o governo aterrou a área e transferiu as pessoas para casas de alvenaria.



Complexo da Maré Hoje

A Origem do Complexo da Maré

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, a área hoje ocupada pelas comunidades da Maré era um recanto da Baía de Guanabara formado por praias, ilhas e manguezais.

As praias tinham água e areia limpas; a mata fechada permanecia intocada; os manguezais serviam como fonte de alimento para várias espécies animais; havia aves aquáticas, caranguejos e muito peixe e camarão. Até mesmo baleias nadavam tranqüilamente na Baía de Guanabara. As ilhas pareciam um paraíso tropical. Por contraste, a mesma área é hoje uma das mais poluídas da cidade.


A ação destruidora do homem começou com a extração do pau brasil que, segundo os registros mais antigos, era abundante na região. Em nome do comércio da madeira nobre, os colonizadores arrasaram as matas e provocaram a fuga das tribos indígenas locais para o interior.

Para escoar os produtos explorados e cultivados na região, foi criado – no século XVI – o Porto de Inhaúma. Ele se localizava onde hoje termina a Avenida Guilherme Maxwell, no cruzamento com a rua Praia de Inhaúma. O Porto desenvolveu importante papel econômico para o subúrbio e terminou seus dias abrigando a Colônia de Pescadores Z-6. Desapareceu nas primeiras décadas do século XX, após os sucessivos aterros na área.

Entre meados dos séculos XVII e XVIII, a região da Maré – também conhecida como "Mar de Inhaúma" – fazia parte da Freguesia rural de Inhaúma e integrava uma grande propriedade: a Fazenda do Engenho da Pedra. Sua terras abrangiam os atuais bairros de Olaria, Ramos, Bonsucesso e parte de Manguinhos. Hoje, onde seria a sede da fazenda restam apenas ruínas, que foram ocupadas pela Favela da Igrejinha, em Ramos.

A vinda da Família Real ao Rio de Janeiro, em 1808, trouxe facilidades para o exercício do comércio e proporcionou uma maior ocupação das áreas rurais da cidade. Mas o esmorecimento do mercado externo não tardou e, no decorrer século XIX, os proprietários buscaram novas formas de obtenção de renda. Iniciou-se, então, um processo de arrendamento de parcelas das fazendas a pequenos agricultores.
No final daquele século, os centros dos bairros começam a surgir em torno da linha férrea e suas estações.

Em 1899, foi fundado o Instituto Soroterápico (hoje Fundação Oswaldo Cruz ), cujo trabalho de pesquisa tem reconhecidamente contribuído para o desenvolvimento científico do país.

No início do século XX, pequenos núcleos de povoamento – quase sempre formados por pescadores – já se aglutinavam em torno dos portos na região, como o Porto de Inhaúma e Maria Angu. Mas este processo acelerou-se mesmo com a reforma urbana da prefeitura de Pereira Passos – que expulsou a população mais pobre do centro da cidade, provocando a ocupação das zonas periféricas.

A partir da mesma época, a enseada de Inhaúma (que se estendia da Ponta do Caju até a Ponta do Tybau) teve sua orla de manguezais destruída pela ação de diversos aterros.

A Ponta do Thybau, por ser uma área de terra firme, foi uma das primeiras regiões a ser povoada. Era o início da Comunidade Maré – hoje, um bairro com cerca de 130.000 habitantes.


Moradias da Favela da Maré - 1971

Dos primeiros habitantes à formação do bairro: o povoamento da Maré

A história da Maré urbana começa mesmo no anos 40, com o desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro. Nessa época, a cidade recebeu um grande fluxo de migrantes nordestinos, em busca de trabalho. O paradeiro deles foram as regiões desprezadas pela especulação imobiliária, como encostas e áreas alagadas.

Neste período, a região da Leopoldina já havia se transformado em núcleo industrial. E, como as terras boas do subúrbio tinham se tornado objeto da especulação imobiliária, restou para a camada mais pobre a ocupação das áreas alagadiças no entorno da Baía da Guanabara.

No final da década de 40, já havia palafitas - barracos de madeira sobre a lama e a água – na região. Surgem focos de povoação onde hoje se localizam as comunidades da Baixa do Sapateiro, Parque Maré e o Morro do Timbau - única naturalmente de terra firme. As palafitas se estenderam por toda a Maré e só no início dos anos 80 foram erradicadas.

A construção da Avenida Brasil - concluída em 1946 - foi determinante para a ocupação da área, que prosseguiu pela década de 50, resultando na criação de outras comunidades como Rubens Vaz e Parque União.

Nos anos 60, um novo fluxo de ocupação da Maré teve início. Durante o Governo Estadual de Carlos Lacerda (1961-1965), foram realizadas obras de modernização na Zona Sul da cidade com a consequente erradicação de favelas e remoção de sua população para regiões distantes do município.

A partir de 1960, moradores de favelas como Praia do Pinto, Morro da Formiga, Favela do Esqueleto e desabrigados das margens do rio Faria-Timbó foram transferidos para habitações "provisórias" construídas na Maré. Daí surgiu a comunidade de Nova Holanda.

Até o início dos anos 80, quando a Maré das palafitas era símbolo da miséria nacional, como retrata a música Alagados, do Paralamas do Sucesso.


Crianças da Favela da Maré - 1971

Paralamas do Sucesso - Alagados

Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Vem das antenas de TV
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê

Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Vem das antenas de TV
A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar Vem das antenas de TV
A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Vem das antenas de TV A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Vem das antenas de TV

A arte de viver da fé Só não se sabe fé em quê
A arte de viver da fé Mas a arte de viver da fé

Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê A arte de viver da fé

Mas esse período marca também a primeira grande intervenção do Governo Federal na área: O Projeto Rio, que previa o aterro das regiões alagadas e a transferência dos moradores das palafitas para construções pré-fabricadas. São hoje as comunidades da Vila do João, Vila do Pinheiro, Conjunto Pinheiro e Conjunto Esperança.

Em 1988, foi criada a 30ª Região Administrativa, abarcando a área da Maré. A primeira R.A. da cidade a se instalar numa favela marcou o reconhecimento da região como um bairro popular.

Nos anos 80 e 90, foram construídas as habitações de Nova Maré e Bento Ribeiro Dantas, para transferir moradores de áreas de risco da cidade. Já a pequena comunidade inaugurada em 2000 pela prefeitura e batizada pelos moradores de Salsa e Merengue é tida como uma extensão da Vila do Pinheiro.

Fontes: Sites Uol e Ceasm

Livro: Favelas - Fotos com 30 anos de Intervalo Rio de Janeiro 1971 / 2001
Autor: Fernando Bergamaschi de Souza Ano de Lançamento:2004
Site: PHOTO INDUSTRIAL

quarta-feira, março 01, 2006

Soy Loco Por Ti, Vila Isabel


Foto:Caio Guatelli * Abre Alas

A Vila Isabel é Campeã após jejum de 18 anos

Após um jejum de 18 anos e justo no Aniversário da Cidade Maravilhosa surpreendentemente A escola de samba Unidos de Vila Isabel se torna a campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro pela 1ª vez desde 1988 Com o enredo "Soy loco por ti America - A Vila canta a latinidade", e um total de 397,6 pontos, a agremiação ficou empatada com a Grande Rio, mas venceu pelo critério de desempate estabelecido pela Liga tirando o Titulo das favoritas Mangueira , Beija –Flor, Unidos da Tijuca, e durante a apuração da Viradouro e Grande Rio.

A Vila Isabel teve melhor pontuação no último quesito, samba-enredo, com 39,9 pontos, contra 39,8 da Grande Rio. Pelo regulamento, os primeiros quesitos a terem as notas divulgadas são os que menos influenciam no caso de empate; já os últimos são os mais importantes.

As escolas Caprichosos de Pilares (383,5) e Rocinha (371,7) tiveram as piores pontuações e, conseqüentemente, serão rebaixadas para o grupo de acesso.


Rocinha e Caprichosos são rebaixadas

Na última colocação, a Rocinha, vencedora do grupo de acesso em 2005, foi rebaixada com 371,7 pontos. A escola entrou na avenida com o enredo "Felicidade não tem preço", elaborado pelo carnavalesco Alex de Sousa.

A Caprichosos de Pilares, com 383,5 pontos, também foi rebaixada. A agremiação apresentou o enredo "Na folia com o espírito santo, o espirito caprichou", do carnavalesco Chico Espinosa, que jamais venceu no grupo especial do carnaval carioca.


Estácio no Grupo Especial no carnaval 2007

O carnavalesco Paulo Barros perdeu na Tijuca, mas ganhou o título pela Estácio de Sá no Grupo de Acesso, garantindo o retorno da escola à elite do Carnaval. A escola do morro do Estácio ficou à frente de São Clemente, União da Ilha e Tradição. Caíram para o Grupo B a Vizinha Faladeira e a Alegria da Zona Sul.O objetivo Liesa é ter apenas 12 escolas desfilando no Grupo Especial em 2008. Com isso, em 2007, mais uma vez duas escolas serão rebaixadas e somente uma subirá do Grupo de Acesso.



A História da campeã

A Escola foi fundada em 04 de abril de 1946, tem sua quadra localizada na Avenida Boulevard vinte e oito de setembro, nº 382 no bairro de Vila Isabel , Atualmente possui sua Fábrica de Carnaval - Cidade do Samba: Rua Rivadávia Correia, 60 - Barracão 5 - Gamboa – Centro/RJ.

A Escola do Bairro da Vila Isabel Desfilou com 3.600 Componentes, Intérprete: Tinga 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: :Rafael e Ruth, Mestre de Bateria: Mestre Mug.


Títulos da escola:

1960 - 1º Lugar - Campeão do 3º Grupo (ascendeu ao 2º Grupo, sendo que, os desfiles foram divididos em três grupos). Enredo: Poeta dos Escravos.

1979 - 1º Lugar - Campeão do Grupo 1B (Ascensão ao Grupo 1A) - Enredo: Os Dourados Anos de Carlos Machado

1988 - Campeã do Grupo Especial Enredo:Kizomba, Festa da RaçaPresidente: Lícia Maria Maciel CaninéCarnavalescos: Milton Siqueira / Paulo Cesar Cardoso / Ilvamar Magalhães

2003 - 1º Lugar - Campeão do Grupo de Acesso - Enredo: " A Vila É Para Ti..."

2004 – 1º Lugar – Campeã do Grupo Especial Enredo: Soy Loco Por Ti, América: A Vila Canta A Latinidade Carnavalesco: Alexandre Louzada


Foto: Moarcy Lopes Jr * Ritmista

O Enredo Campeão da Vila

A Vila surpreender no Carnaval 2006 ao realizar a integração de culturas latinas brincando de bailar La Bamba,A vila vem temperar seu samba, com "salsa", "mambo" e "merengue", arriscando um paso doble de "tango", balançando na "rumba" e na "conga", numa mistura original. E, ao se coroar de forma diferente, colorida e tropical, numa hola de alegria, bate orgulhosa no peito dizendo: Soy Loco Por Ti América: A Vila Canta a Latinidade.

O enredo da vila é descrito no site como "Um grito que clama, um revolucionário canto que chama, unindo em vozes continentes, num brado forte de luta, que conclama toda a América Latina, a formar um só povo, a cantar um mesmo hino" e funcionou pois conquistou os jurados.

Fontes:Uol,Globo On Line, Jb on line, Ig Noticias, e Site Unidos de Vila Isabel > Conheça no link http://www.gresunidosdevilaisabel.com.br/sitenovo/apresentacao/apresenta.html


O Bairro: Vila Isabel

Foto: Site Unidos de Vila Isabel


MINHA VILA QUERIDA

O bairro carioca de Vila Isabel nasceu em 3 de janeiro de 1872, quando o comerciante mineiro João Batista Viana Drumond comprou a então Fazenda dos Macacos e deu-lhe o nome em homenagem à Princesa Isabel.

Desde então, a vila foi palco de vários movimentos abolicionistas e até hoje guarda em suas ruas nomes de líderes importantes, como o senador Nabuco, Visconde de Abaeté, Souza Franco, Conselheiro Paranaguá e Torres Homem.

Um dos marcos do bairro, o Boulevard 28 de setembro também traz na memória os passos para a liberdade dos negros no Brasil. A idéia do Boulevard 28 de setembro, assim como toda Vila Isabel, surgiu da cabeça do Barão João Batista Viana Drumond, que para tocar a obra, chamou o engenheiro Francisco Bittencourt da Silva, que fez um levantamento do terreno e traçou o mapa. Como tudo na época, o Boulevard trouxe seu estilo da França, por seu traçado moderno e elegante. Já o nome veio do dia da assinatura da Lei do Ventre Livre, que dava liberdade a todos os filhos de escravos nascidos a partir daquela data. O próprio bairro homenageia a Princesa Isabel, que promulgou a lei. Inovadora, Vila Isabel não foi apenas o primeiro bairro planejado da cidade. Lá também foi instalado o primeiro zoológico do Rio de Janeiro, criado pela visão empreendedora do Barão de Drumond e que se tornou um sucesso imediato, inspirando, inclusive, o jogo do bicho, também criado pelo Barão dentro das leis da época. Foi no dia 28 de setembro de 1871 que a Princesa Isabel assinou a Lei do Ventre Livre, tornando livres todos os filhos de escravos nascidos a partir daquela data.

A Vila Isabel passou por várias transformações, desde quando era a Fazenda do Macaco, com plantações de cana-de-açúcar, até se tornar um bairro importante do Rio de Janeiro.

Por causa de sua beleza natural, sua origem, sua história e suas lutas, Vila Isabel tornou-se uma fonte inesgotável de inspiração para os poetas. Até hoje costuma-se dizer que quem nasce em Vila Isabel já nasce poeta ou compositor. E não foram poucos os poetas brasileiros ligados à Vila. O mais famoso é Noel Rosa, que nasceu no bairro em 11 de dezembro de 1910. E muitos outros foram revelados ali, na terra do Barão de Drumond. Orestes Barbosa, Pixinguinha, Braguinha, Martinho da Vila, Antônio Nassara, João de Barro, Guilherme de Brito, Margarida Ottoni, Aldir Blanc e Nei Lopes são alguns dos inúmeros nomes que fizeram e ainda fazem a alegria dos corações brasileiros. Pelas calçadas onde surgiram algumas das mais famosas composições da MPB, várias delas, aliás, podem ser encontradas no chão, em partituras desenhadas na calçada com pedras portuguesas. Quem teve essa idéia foi o arquiteto Orlando Madalena, em 1964, para comemorar os quatrocentos anos do Rio de Janeiro. Coube ao compositor Almirante escolher as músicas que ficariam gravadas no chão da Vila. São 20 ao todo: Pelo telefone (Donga e Mano de Almeida), Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), Aquarela do Brasil (Ary Barroso), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Luar do sertão (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco), entre outras.

Hoje Vila Isabel tem uma vida noturna com bares onde é comum encontrar músicos de repertório eclético: de rodas de samba a grupos de rock, de trios de forró pé-de-serra à MPB voz e violão. Há até lugares sem música alguma, mas que fazem o dever de casa com um chope gelado e comida honestíssima. E isso a meio caminho tanto da Zona Sul como da Zona Norte. Como já disse Noel, quem é da Vila não vacila.

Nada é como antes, mas uma nova história está começando em Vila Isabel. Como cantou o mestre Noel, A Vila "Tendo nome de princesa / Transformou o samba / Num feitiço decente / Que prende a gente".

Bibliografia: Aragão, Nilde Hersen – "Vila Isabel Terra de Poetas e Compositores". Rio de Janeiro, Ed.Conquista, 1997.Clipping UERJ - Programa - Jornal do Brasil